segunda-feira, 2 de janeiro de 2017

2016 - O ano agridoce

Quando, há um ano atrás, entrámos em 2016, sabíamos que este ano nos traria uma nova vida. Não sabíamos, no entanto, que nos tiraria uma outra.
Vinhas ter connosco a todas as consultas e, quando o Martim nasceu, passaste todo o tempo que te deixaram no nosso quarto, no hospital. E ele nunca vai lembrar-se de ti.
Resta-nos acreditar que, onde quer que estejas, poderás ver como ele está crescido e como é uma criança feliz e bem-disposta. Quando está para aí virado. Não somos todos assim?
Resta-nos guardar connosco o teu sorriso e a tua alegria contagiantes. Aproveitar ao máximo cada momento, como tu fazias e quererias que fizéssemos também.
Lembras-te de quando a Joana ainda não tinha nascido e íamos ao clube de vídeo alugar filmes impróprios para a minha idade, que ficávamos a ver até horas a que não era suposto eu estar acordada? E de quando a minha mãe não queria que eu tivesse um segundo furo na orelha e tu foste comigo fazê-lo? E quando fomos ao cinema ver o único filme que tinha sessão àquela hora e éramos as únicas pessoas naquela sala? 30 anos e tantas recordações. Tu gostavas tanto do meu filho e ele nunca irá lembrar-se de ti.

Restam-nos as recordações. Resta-nos lembrar o que foste e o que representas para nós. Resta-nos acreditar que estás bem agora. Resta-nos pensar que agora temos, não uma, mas duas estrelinhas a guiar-nos e a olhar por nós.