quarta-feira, 14 de dezembro de 2016

Às senhoras da Praia do Norte (e a todas as pessoas desconhecidas que temem pela saúde do meu filho)

O meu filho não ficou doente.
Obrigada pela preocupação.
Se calhar pareceu-vos que éramos uma família que acordou naquele dia e achou que não haveria melhor sítio para comemorar a Restauração da Independência que a praia, a areia e as rochas, bem perto do mar.
Não foi isso que aconteceu.
Deslocámo-nos, naquele dia, à Praia do Norte, porque tínhamos uma missão.
E, uma vez que o meu filho depende de mim a vários níveis, nomeadamente a nível alimentar, ele teve de nos acompanhar.
E adivinhem… Não lhe fez mal nenhum!
E se fizesse… Não seriam vocês a passar horas a cuidar dele e noites em claro!
Por isso, pessoas desconhecidas que temem pela saúde do meu filho: Preocupem-se antes com os vossos filhos e com a vossa vida…

<3

segunda-feira, 12 de dezembro de 2016

À senhora da pastelaria

À senhora da pastelaria:
- Eu não estou tensa;
- O meu colo funciona melhor com o meu filho do que o colo das tias;
- O meu filho não é o filho de qualquer pessoa que encontramos na rua, é o meu filho;
- É feio meter-se com alguém na rua só porque essa pessoa tem um bebé, que por acaso está a fazer uma birra;
- A birra do meu filho era sono, como pode verificar posteriormente, quando ele adormeceu profundamente e eu pude voltar a pô-lo no ovo, sem qualquer queixa pela parte dele;
- O meu filho de 3 meses não é igual ao seu filho de 4 meses, nem igual ao seu filho quando ele tinha 3 meses;
- Não achei nada bonita a foto do seu marido com o seu filho, ambos seminus;
- Quando me mostrou a referida foto senti-me a invadir a sua privacidade, ainda que com o seu consentimento;
- Teve sorte, porque estes pensamentos só me ocorreram mais tarde, ao pensar no ridícula que foi tal situação.

Às outras pessoas da pastelaria:

- Não vou deixar de fazer a minha vida por ter um filho de 3 meses (não, eu já não costumava ir a discotecas… que sorte!)

sábado, 15 de outubro de 2016

Tipos de mães

Foto: Pedro Castelhano

Ao longo da gravidez e agora como mãe, fui-me cruzando com outras pré-mamãs e recém-mamãs, das quais aprecio particularmente dois tipos: a mãe "que sofre mais do que todas as outras” e a mãe "hás-de sofrer tudo o que eu sofri”. A saber:
Mãe "que sofre mais do que todas as outras”: Como o próprio nome indica é um tipo de mãe que, ao longo da sua gravidez e durante o parto e pós-parto, sofreu sempre muito mais do que qualquer mãe com quem fala. Exemplos:
Se não tiveste enjoos, ela teve durante 1 mês, se tiveste durante 2 meses, ela teve durante 3, se andaste a vomitar durante 6 meses, ela vomitou durante toda a gravidez.
Se engordaste 13 kg, ela engordou 14 kg, se engordaste 19 kg, ela engordou 20 kg, se emagreceste 3 kg, ela emagreceu 4 kg.
Se não levaste pontos, ela levou 1, se levaste 6 pontos ela levou 7, se levaste 20 pontos, ela levou 21.
Mãe "hás-de sofrer tudo o que eu sofri”: Mãe há mais 1 hora, 1 dia, 1 semana ou 1 mês do que tu, detendo, portanto, muito mais sabedoria do que tu acerca desta experiência da maternidade.
Se o teu bebé não tem cólicas, “Espera mais 1 dia, a partir daí é que vai começar”.
Se o teu bebé dorme, “Espera mais uma semana, nessa altura é que vais ver o que é não dormir”.
Se o teu bebé até nem chora assim tanto, “Espera mais um mês, isso é que vai ser chorar a sério”.

Calma, pré-mamãs e mamãs! Uma gravidez mais sofrida não faz uma melhor mãe e não existem dois bebés iguais... (E calma e muita paciência àquelas que, como eu, são "vítimas"...)


sexta-feira, 30 de setembro de 2016

Não me engordem o miúdo!



Utilizar como único indicador de bem-estar de um recém-nascido o seu (aumento de) peso. Comparar este aumento com tabelas feitas para o bebé em geral, sem verificar cada caso em particular. Sem ter em consideração se o bebé está bem-disposto, se dorme bem, se faz chichi e cocó.
Entre o sétimo e o décimo quarto dias de vida, o meu filho engordou (só!) 10 gramas por dia. E eu que achava que, por essa altura, até podia ainda estar a perder peso. Não não, isso é até ao décimo dia, agora já devia estar a recuperar.
Recomendações: Dar de mamar de 2 em 2 horas, vai custar um bocado acordá-lo, sobretudo durante a noite, mas vai valer o esforço; voltar, não passado uma semana, mas passados 3 dias e, se continuar assim, temos de dar suplemento, para além do leite materno.
Opinião geral baseada no senso comum: O teu leite não presta (!), 1001 recomendações alimentares de como produzir leite que mataria realmente a fome (!) ao meu filho.
O meu raciocínio: O meu filho, quando acaba de mamar, dorme profundamente ou fica acordado e bem-disposto durante algumas horas, enche fraldas de chichi e cocó, parece tudo menos um bebé com fome.
Felizmente não segui as recomendações, porque, mesmo sem o fazer, nesses 3 dias, aumentou 170 gramas. A continuar assim, entretanto vêm falar-nos de obesidade infantil e põem o miúdo de dieta… :P (Já sei que não deve ser o caso, porque já lá voltámos e ele já voltou a engordar valores "normais mais para o baixo", de acordo com as tabelas).
Conclusão: É válida e talvez uma das melhores dicas que me deram durante a gravidez: "Segue o teu instinto, tu vais saber se o Teu Filho está ou não bem."

P.S.: Não temos sido mal tratados, antes pelo contrário, desde o início da gravidez e agora desde o início de vida do Martim, o atendimento no Centro de Saúde tem sido fantástico. Acho apenas que o Serviço Nacional de Saúde se baseia em normas padronizadas, demasiado rígidas e que nem sempre são aplicáveis à criança em questão… 

quarta-feira, 21 de setembro de 2016

O dia em que nasceste

O dia em que nasceste não foi o dia mais feliz da minha vida. Desculpa, filho, mas mais de um dia de trabalho num hospital, mais de metade do tempo sem o pai perto de nós, sem ter a certeza se seria ou não naquele dia que te veria pela primeira vez, não é, nem de perto, o meu conceito de dia feliz.
O dia seguinte também não foi o dia mais feliz da minha vida. Sentia-me fraca, cansada, tinha tonturas. Tinha adormecido tarde, não porque tu não dormisses, mas porque a menina da cama ao lado tinha tido a bebé dela e subido para o internamento quase ao mesmo tempo que nós e queria conversar.
O dia depois desse também não foi o dia mais feliz da minha vida. Não aconteceu o que previam para nós (“a pior noite é a 2ª noite de vida deles”), mas os bebés choravam imenso ao longo de todo o corredor. Tu praticamente não fizeste chichi durante esse dia e eu tive medo que não nos deixassem voltar a casa no dia seguinte.
O pai só podia estar connosco durante parte do dia e fazia-me falta partilhar todos estes momentos com ele.
O dia mais feliz da minha vida (até àquele momento) foi o dia em que tivemos alta. Entrar em casa contigo pela primeira vez, apresentar-te a Flor, mostrar-te o teu quarto e podermos, finalmente, começar a nossa vida a 4.
Dias felizes são todos desde que tu existes na nossa vida. O teu olhar, o teu sorriso, o teu sono profundo, a forma como reages quando te pegamos e conversamos contigo. Podemos perder horas a olhar para ti sem nos cansarmos.
O momento mais feliz da minha vida foi logo depois do teu nascimento, quando senti o calor do teu corpo sobre o meu e te vi pela primeira vez, sujo de sangue e vérnix e lindo de morrer.

O dia em que nasceste não foi o dia mais feliz da minha vida.

sexta-feira, 2 de setembro de 2016

À "senhora da sala de espera do hospital"

Para a anónima que estava hoje na sala de espera do hospital, deixo aqui algumas dicas:
- "It's a boy" significa, em Português, "É um rapaz". Se, de qualquer forma, não compreender Inglês, um boné azul como figura na zona da barriga deveria ser suficientemente elucidativo;
- A minha barriga "é assim" e "só tenho barriga" porque:
1- O meu corpo é assim (há quem lhe chame genética);
2- Tive cuidado com a alimentação;
3- Fiz exercício físico;
Não me venha com essas histórias de "É mesmo barriga de rapaz", por favor...
- Não trate por tu uma pessoa que não conhece de lado nenhum. Não, mesmo que pareça uma adolescente que engravidou sem querer (o que poderá não corresponder à realidade), não fica bem...
- Não pergunte à criança que está consigo se quer "mexer no bebé" sem antes ter pedido à grávida se ela pode "mexer no bebé". O facto de ser uma criança pode minimizar, mas não elimina, a sensação de desconforto que provoca em mim ter uma pessoa desconhecida a tocar em qualquer parte do meu corpo;
- Não queira sentir o bebé de uma pessoa que nunca viu na vida só porque o formato da sua barriga lhe suscitou alguma curiosidade. Cada bebé se mexe à sua maneira e não há qualquer relação entre o formato de uma barriga e a forma como o bebé se mexe. A pessoa pode ter vergonha de lhe dizer que não, mas isso não significa que ela não sinta a sua privacidade invadida;
- Não ache que, porque está grávida, a pessoa que está sentada perto de si na sala de espera é obrigada a manter uma conversa consigo. Se tentasse falar comigo sem estar grávida de 40 semanas e 4 dias, acordada desde as 4h30, no hospital há 3 horas e já tendo passado a hora de almoço, descobriria uma Inês bem mais simpática.

quinta-feira, 1 de setembro de 2016

Era para (antes de ante)ontem!

Nunca pensei que ficasses até ao fim. Sobretudo depois de me ter sido receitada medicação e recomendado repouso, porque tu parecias querer nascer cedo de mais. Parece que resultou, porque já vamos em 40 semanas e 3 dias.
O Pai está ansioso por te conhecer. As pessoas não param de perguntar por ti. Não te preocupes com isso. Vem quando tiveres de vir (sabendo que, se demorares muito mais, os médicos farão das suas). Pelo sim pelo não, tenho feito o meu melhor para ver se entretanto te decides.
Ouvi tantas teorias, “às 38 semanas é que é bom”, "eles crescem cá fora", “depois ele cresce de mais”, “faz muitos estragos”… Veremos. Mas então porque é que a Data Provável do Parto é às 40 semanas? Não às 37, nem às 39, mas às 40. A verdade é que ainda aqui estás. Ultrapassámos a DPP, e ultrapassámos todas as datas possíveis e imaginárias em que as pessoas tinham a certeza de que tu ias nascer, por causa de feelings, das teorias das luas, entre outras que desconheço… Sim, as pessoas têm imensas certezas em relação à influência da Lua na nossa vida. O teu peso, a maturação dos teus órgãos, as minhas contracções e o comprimento do colo do meu útero têm uma importância secundária nesta gestação quando comparados com a importância da Lua. Posso continuar a ser céptica em relação a essas coisas.
Estás bem onde estás, Filho, sei que a qualquer momento podes (e deves!) aparecer, mas vou ter imensas saudades de te ter só para mim, sem ter de te partilhar com o Mundo. 
Sim, também estou ansiosa por te conhecer, mas vamos aproveitar até ao fim. <3

domingo, 28 de agosto de 2016

Síndrome do Ninho? Pois claro!

A avó M acha que, actualmente, lemos e sabemos muito sobre tudo o que está relacionado com a gravidez e o parto (entre outras coisas). Eu sei que é verdade, há 30 anos atrás as nossas mães só sabiam o que o médico lhes dizia, não tinham acesso a 1001 livros acerca da gravidez, maternidade e bebés, nem à Internet com os seus 1001 fóruns e blogs acerca destas temáticas.
Distingo esta informação que nos chega em 3 tipos:
- Útil: de uma forma ou de outra, acaba por nos ajudar a compreender e a saber como actuar perante certas situações que se passam connosco;
- Prejudicial: é preciso saber filtrar bem tudo o que nos chega, já que parte da informação que nos chega via Internet é errada ou, sendo verdadeira, apenas contribui para nos deixar mais confusas e com mais dúvidas;
- Inútil: não podendo ser classificada como prejudicial, se não se dedicassem a estudar estas coisas, engravidaríamos, teríamos os bebés e correria tudo bem na mesma.
Nesta última classe, incluo a constatação do fenómeno denominado como "Síndrome do Ninho" ou o instinto de "Fazer o Ninho". É claro que, da primeira vez que li sobre isso pensei "Ora aí está algo de que eu, com toda a certeza, irei "sofrer"". Só não esperava que durasse tanto. Se, segundo algumas fontes, se trata de um sinal, desencadeado por alterações hormonais, de que o parto está para breve, eu estou neste processo há cerca de 60 dias.
Sim, eu era daquelas que achava que ia trabalhar até ao fim. Mas "valores mais altos se levantam", quando da saúde do nosso filho se trata. Assim, e uma vez que me foi recomendado repouso, comecei por arrumar gavetas, papéis, pastas de computador... Passei depois para a preparação da roupa do M, que várias pessoas achavam que já estava a ficar tarde. Mais de 40ºC por aqui, e eu a lavar, estender e passar roupa a ferro... Mais tarde, quando já se considerava seguro o M nascer (o que coincidiu com o início das férias da avó M, que veio, assim, ajudar), passei a dedicar-me a outro tipo de actividades, arrumações que exigiam mais esforço e limpezas mais profundas. Completamos amanhã as 40 semanas, há 3 dias andávamos a limpar todos os vidros que existem em casa (tarefa que não é, habitualmente, executada por mim), ontem montei um toalheiro e um suporte de rolos de papel higiénico (tipo de tarefa que também não é, habitualmente, minha, e deixou o Pai muito satisfeito e orgulhoso). Isto para além das limpezas normais, do lavar, estender e passar roupa a ferro.
Se acho que me vou arrepender de não ter descansado mais neste últimos dias, como recomendam todas as mulheres que já passaram pelo mesmo? Provavelmente e, por isso mesmo, todos os dias tento prometer a mim mesma que "é amanhã". Se sinto que podia fazê-lo? Não, porque contraria a minha maneira de ser e de estar na vida. Acho que, se o M demorar muito mais, entro na fase "Desarrumar para voltar a arrumar".
"Síndrome do Ninho"? Fenómeno cientificamente comprovado!


quinta-feira, 25 de agosto de 2016

Já é quase Natal outra vez...

Foi no dia 24 de Dezembro de 2015, por volta das 7h20, que soube que ia ser mãe.
Foi no dia 25 de Dezembro de 2015, por volta da 1h, que o pai soube que ia ser pai.
Foste/És a mais pequena e melhor prenda que alguma vez recebe(re)mos.
E, literalmente, nunca mais deixou de ser Natal cá em casa. Porque o teu pai adora o Natal e está sempre à procura de uma boa desculpa para não desmontar a árvore, este ano teve, pela primeira vez, um argumento suficientemente forte. Nada que eu não tivesse previsto quando decidi que o teste de gravidez seria um bom presente.
Passada a emoção e alegria iniciais, o tempo foi pouco para viver esta gravidez como dizem ser suposto (!) viver uma gravidez. Eu entre a Farmácia, as formações e o curso de Gestão, o pai sempre no Hotel (a trabalhar!), cheguei a sentir-me uma péssima mãe por não te tocar, não conversar contigo, não descansar... De qualquer forma, o facto de ainda não te sentir, não se notar muito a barriga e de não teres um nome, fazia com que parecesse tudo pouco real. 
Por isso, foi Natal novamente quando, no dia 26 de Abril, por volta das 15h, o médico disse "É um menino!". Aí sim, ganhaste automaticamente um nome, tornou-se tudo muito mais real, e assim que saímos da clínica onde fizemos a ecografia fomos ver a cama de grades (que já sabíamos que queríamos) e começamos a ver carrinhos, alcofas... 
E agora, estamos a dias (não sabemos quantos e todos à nossa volta parecem saber mais sobre isso do que eu e tu!) de ser Natal outra vez...