Quando, há um ano atrás, entrámos em 2016, sabíamos que este
ano nos traria uma nova vida. Não sabíamos, no entanto, que nos tiraria uma
outra.
Vinhas ter connosco a todas as consultas e, quando o Martim
nasceu, passaste todo o tempo que te deixaram no nosso quarto, no hospital. E ele
nunca vai lembrar-se de ti.
Resta-nos acreditar que, onde quer que estejas, poderás ver
como ele está crescido e como é uma criança feliz e bem-disposta. Quando está
para aí virado. Não somos todos assim?
Resta-nos guardar connosco o teu sorriso e a tua alegria contagiantes.
Aproveitar ao máximo cada momento, como tu fazias e quererias que fizéssemos
também.
Lembras-te de quando a Joana ainda não tinha nascido e íamos
ao clube de vídeo alugar filmes impróprios para a minha idade, que ficávamos a
ver até horas a que não era suposto eu estar acordada? E de quando a minha mãe
não queria que eu tivesse um segundo furo na orelha e tu foste comigo fazê-lo? E
quando fomos ao cinema ver o único filme que tinha sessão àquela hora e éramos
as únicas pessoas naquela sala? 30 anos e tantas recordações. Tu gostavas tanto
do meu filho e ele nunca irá lembrar-se de ti.
Restam-nos as recordações. Resta-nos lembrar o que foste e o
que representas para nós. Resta-nos acreditar que estás bem agora. Resta-nos
pensar que agora temos, não uma, mas duas estrelinhas a guiar-nos e a olhar por
nós.

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